Quando JESUS CRISTO, Nosso Senhor, veio a este mundo, ELE não
introduziu nenhum conceito novo acerca do casamento, que DEUS havia criado no
Gênesis. O matrimônio continuava, por assim dizer, segundo os princípios
divinos, dissolúvel somente na morte de um dos cônjuges. A humanidade,
corrompida como estava, em todos os sentidos, e distante da vontade de DEUS,
não aceitava nada do que JESUS colocava como parâmetro de um casamento válido
para o Seu PAI.
A prática do repúdio e do “segundo casamento” já eram coisas
muito comuns àquela época. Muitas pessoas já haviam repudiado seus cônjuges ou
foram repudiadas por eles, adentrado em um novo relacionamento e recebido essa
prática de vida como normal e absolutamente aceitável por DEUS. Na verdade, a
dureza dos seus corações levou-as à profunda cegueira espiritual.
A poligamia (segundo
o dicionário Aurélio, união conjugal de um indivíduo com vários outros,
simultaneamente) nunca esteve nos projetos de DEUS para o conceito de casamento
e o estabelecimento de uma estrutura familiar. DEUS apenas permitiu a
poligamia, como, de fato, permitiu também que tantas outras coisas ruins
acontecessem no meio do Seu povo. A permissão de DEUS é bem diferente da Sua
vontade. Ela (a permissão) existe como uma senha para a funcionalidade do mundo
com os seus pecados, as suas tragédias, tudo de ruim que existe. O recasamento
entre pessoas divorciadas e a poligamia fazem parte desse conjunto de coisas
ruins permitidas pelo SENHOR. Mas a permissão não conduz ninguém ao plano de
salvação. Só a busca pela vontade de DEUS conduz. A prática da poligamia, assim
como todos os outros pecados, deixou consequências tristes na vida daqueles que
praticaram. Por tudo o que a Bíblia diz sobre o destino dos que morrem na
prática desses pecados especificamente, posso garantir que nenhum eleito de
DEUS, que, em vida, foi polígamo ou adúltero, morreu dessa forma. Nem Abraão,
nem Jacó, nem Davi, nem Salomão, morreram polígamos ou adúlteros. A morte de qualquer
indivíduo, escravo de qualquer pecado, leva-o à morte espiritual, ao inferno.
DEUS permitiu a
poligamia na vida dos Seus grandes homens, embora essa não fosse a Sua vontade.
A permissão de DEUS de algo destrutível na vida de um dos Seus filhos é atribuída
à natureza pecaminosa dos mesmos, ao desejo que eles têm de fazer o que
desagrada a DEUS, ao coração propenso ao pecado. Porém, vimos, na Bíblia
Sagrada, que os eleitos de DEUS são aperfeiçoados através das consequências das
suas práticas pecaminosas. DEUS permite o mal para aperfeiçoá-los. Na verdade,
na expressão maior da verdade, a vontade de DEUS para a humanidade era e é
totalmente diferente dos caminhos que ela decidiu enveredar. Pela vontade de
DEUS, os primeiros humanos não teriam pecado, desobedecido; nem Caim havia
matado Abel; não haveria prostituição, dilúvio, fome, sofrimento, desertos;
Moisés não teria permitido os judeus repudiarem as suas esposas por meio de uma
lei; Abraão ter se deitado, ao mesmo tempo, com Sara e Agar; Jacó, com Léia e
Raquel; Davi, com Mical, Abigail e, posteriormente, com Bate-Seba. Nem Salomão
teria tido 700 esposas e 300 concubinas. Nada disso, DEUS queria que
tivesse acontecido. Mas, pela desobediência, pela dureza do coração humano, ELE
permitiu que todas essas coisas acontecessem, inclusive, entre pessoas que
DEUS, mais tarde, salvaria e colocaria como personagens triunfantes de Sua
glória. Uma das grandezas de DEUS, a que me deixa muito maravilhado, está no
fato de DEUS ter trazido ao mundo seres completamente falhos, limitados,
pecadores, de frutos tão tristes, mas que, por Seu projeto de salvação, ELE
iria transformá-los, santificá-los, deixá-los na estatura de varão perfeito,
até o dia de sua morte, em pessoas exemplares. Assim, DEUS fez com Davi.
Portanto, o texto
afirma que DEUS eliminaria o erro da vida do seu servo, retirando todas as suas
mulheres e entregando-as a outros homens, tudo diante dos seus olhos. É certo
também que Davi sofreu bastante por todo o pecado que cometeu diante de DEUS.
Mas ele se arrependeu. Arrependeu-se e foi justificado. DEUS o justificou e fez
do coração dele um coração igual ao Seu coração. Martinho Lutero, um dos
responsáveis pela Reforma Protestante, defendeu com unhas e dentes a poligamia
como algo normal e agradável a DEUS. Se ele também era um escolhido de DEUS,
embora tenha tido uma defesa tão infeliz, em algum tempo da sua história foi
liberto, aperfeiçoado e justiçado. A “Palavra de Vida” (como ele se referia à
Bíblia Sagrada) lhe fora revelada, como fora, em algum tempo, revelada a Davi,
a Salomão, a Abraão, a Paulo, a mim, a você, caro leitor, e a tantos quantos o
SENHOR escolheu para, um dia, herdar a Sua morada eterna. Que DEUS nos abençoe!
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